
Sem argumentos para contestar os dados técnicos apresentados pelo prefeito Pedro DaLua, que desmascarou suas fake news sobre as obras do Shopping Popular, o deputado Errinelson Vieira (RNelson) recorreu ao vitimismo jurídico. Em vez de explicar suas mentiras, o parlamentar acionou o 7º Juizado Especial Cível de Macapá alegando “danos morais”.
No vídeo, o prefeito DaLua rebate a Fake News de que o Shopping Popular foi obra de Clécio Luis, mas sim do prefeito afastado Antônio Furlan. Os próprios empreendedores apontam que foi o mesmo Furlan que em novembro de 2025, interditou o prédio.
O verdadeiro incômodo do deputado foi ver sua biografia exposta: no vídeo desmentindo o parlamentar, o prefeito exibiu um Boletim de Ocorrência oficial por violência doméstica contra Errinelson. O documento policial revela que a ex-companheira do parlamentar foi agredida em via pública e exigiu medidas protetivas de urgência contra o deputado após o episódio de violência.

O documento policial traz à tona um episódio sombrio ocorrido na noite de 23 de julho de 2024, por volta das 23h30. Segundo o relato histórico registrado pela comunicante e vítima, Aline Lopes Garcon, ela mantinha uma união estável com o acusado quando, após uma discussão em frente ao “Bar do Índio” (em via pública), acabou sendo agredida fisicamente pelo amigo do parlamentar, Josué Monteiro, que a jogou violentamente ao chão. Diante do ocorrido e do ambiente de flagrante vulnerabilidade, a vítima não pensou duas vezes: acionou a polícia especializada e solicitou expressamente medidas protetivas de urgência contra o seu companheiro, RNelson Vieira.
A reação do parlamentar escancarou sua completa falta de argumentos. Incapaz de rebater os fatos apresentados, contestar as certidões ou questionar a veracidade das informações que o desmentiram, o deputado RNelson preferiu a via do vitimismo jurídico. Na petição inicial, ele sequer se deu ao trabalho de defender suas declarações sobre o Shopping Popular; em vez disso, apegou-se unicamente ao argumento de que sua “honra” havia sido severamente atingida.
*O Tiro saiu pela culatra: Juiz nega censura prévia+
Buscando uma mordaça judicial, o deputado exigiu em caráter de urgência que a Justiça proibisse o prefeito de exibir o boletim de ocorrência e de fazer novas postagens sobre ele. O tiro, no entanto, saiu pela culatra.
Ao analisar o pedido de tutela de urgência, o juiz Eduardo Navarro Machado, do 7º Juizado Especial Cível de Macapá, deu uma dura lição sobre liberdade de expressão e imunidade ao debate político. Embora tenha ordenado a remoção preventiva do link específico para evitar julgamentos públicos precipitados antes do trânsito em julgado (em respeito à presunção de inocência), o magistrado negou terminantemente os pedidos de censura de RNelson.
O juiz foi categórico ao afirmar que não há qualquer ilicitude ou falsidade na exibição do Boletim de Ocorrência, visto que o próprio deputado sequer negou a existência da grave acusação de violência doméstica. Além disso, o Judiciário rejeitou o pedido para proibir o prefeito de realizar novas publicações, classificando a exigência do parlamentar como “inadmissível censura prévia”, contrariando os preceitos fundamentais da Constituição Federal e a jurisprudência consolidada do Supremo Tribunal Federal (STF).
A manobra de RNelson deixa uma lição clara ao cenário político amapaense: quem usa as redes sociais para semear desinformação contra o patrimônio público e o trabalho alheio precisa estar pronto para enfrentar o espelho da própria biografia. Fingir que o passado e as investigações policiais não existem não mudará a realidade dos fatos. O debate em Macapá continuará livre, gostem os agressores — e os mentirosos — ou não.


