ÁGUA NO PLANO DE FURLAN: MPE ASSUME RECURSO E JULGAMENTO QUE PODE TORNÁ-LO INELEGIVEL VAI CONTINUAR

A estratégia política montada nos bastidores para encerrar o processo que ameaça a elegibilidade do ex-prefeito de Macapá, Antônio Furlan, sofreu um duro revés nesta sexta-feira (19). A Procuradoria-Geral Eleitoral comunicou oficialmente ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que assumirá a titularidade do recurso eleitoral movido por Gilvam Borges, garantindo a continuidade do julgamento que pode resultar na cassação do prefeito e em sua inelegibilidade.

Nos meios políticos, a desistência repentina de Gilvam Borges foi interpretada como resultado de um acordo costurado para evitar a continuidade do julgamento. A movimentação teria contado com a influência do ex-presidente José Sarney, principal padrinho político de Furlan, junto ao próprio Gilvam Borges. O plano, contudo, fracassou.

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Em uma manifestação contundente, o Ministério Público Eleitoral destacou que o pedido de desistência surgiu apenas depois que o julgamento já estava em andamento e após a formação de uma maioria parcial favorável à condenação do prefeito. O próprio órgão ministerial registrou estranheza quanto à mudança de posição do recorrente e ressaltou que interesses políticos não podem interromper processos destinados a proteger a legitimidade das eleições.

Quando o julgamento foi interrompido por pedido de vista do ministro Nunes Marques, o placar estava em 2 votos a 1 pela condenação de Furlan. O ministro relator, Ricardo Villas Bôas Cueva, havia votado pela manutenção da decisão favorável ao prefeito. Em seguida, os ministros Floriano de Azevedo Marques e Estela Aranha abriram divergência para reconhecer os ilícitos eleitorais, defender a cassação dos diplomas, a realização de novas eleições e a inelegibilidade de Antônio Furlan.

A manifestação da Procuradoria-Geral Eleitoral deixa claro que, embora a desistência do recurso possa ser homologada, o interesse público exige a continuidade do julgamento. Por isso, o Ministério Público assumirá o recurso e levará o caso até o final.
O documento é especialmente duro ao observar que acordos políticos celebrados após as eleições não podem servir para impedir o exame de fatos que dizem respeito à higidez do processo eleitoral e à vontade popular.

Caso venha a ficar inelegível, Furlan adicionará mais um capítulo a uma trajetória administrativa marcada por sucessivas investigações federais. Ele é o único prefeito da história recente de Macapá que, em pouco mais de cinco anos à frente da Prefeitura, viu sua gestão ser alvo de seis operações da Polícia Federal.

A mais recente delas foi a Operação Palanque Digital, que investigou suspeitas relacionadas ao uso da máquina pública e estruturas de comunicação institucional em contexto eleitoral.

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Agora, com o Ministério Público assumindo oficialmente a ação, a tentativa de encerrar o processo nos bastidores perde eficácia. O julgamento continuará no TSE e o futuro político de Antônio Furlan permanece em aberto.

O que parecia uma saída negociada transformou-se em mais um problema para o prefeito, justamente quando o placar da Corte Superior já indicava uma tendência desfavorável. A água entrou definitivamente na estratégia de defesa política construída para evitar o desfecho do caso.

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