
Aumento de 15% aos professores e 12% linear nos vencimentos dos demais servidores é defendida como medida possível e necessária para garantir dignidade e funcionamento dos serviços públicos
Por Leidiane Lamarão- Secom PMM
Foto: Andrew Lucena – Câmara Municipal de Macapá
Em um discurso emocionante e apelo direto aos vereadores, o prefeito de Macapá em exercício, Pedro DaLua, esteve na Câmara Municipal nesta quinta-feira (26) para defender a aprovação de um projeto de lei que prevê reajuste salarial de até 15% aos servidores públicos do município. A proposta, que dá atenção especial aos professores, foi apresentada como uma resposta urgente à necessidade de valorização de quem sustenta o funcionamento da cidade.

Pela primeira vez, um prefeito deixa o gabinete no Palácio do Executivo para acompanhar presencialmente a tramitação e votação de um projeto dessa natureza no Legislativo municipal. O gesto, simbólico e político, reforçou o peso do momento e a tentativa de aproximação direta com os vereadores em torno de uma pauta considerada prioritária.
No plenário, o gestor que assumiu o cargo por determinação judicial após a renúncia do ex-prefeito Antônio Furlan, no último dia 5 de março fez questão de contextualizar sua presença à frente da administração municipal. Em tom firme, destacou que sua missão é temporária, mas orientada por responsabilidade.
“Não disputei eleição para ser prefeito, não sou usurpador do cargo. Estou aqui com a missão de organizar, garantir e melhorar nos próximos dois meses”, afirmou.

A fala ganhou contornos humanitários ao enfatizar o impacto direto do reajuste na vida de milhares de trabalhadores e suas famílias. Para o prefeito, mais do que números, o projeto representa reconhecimento e respeito.
Valorização e responsabilidade fiscal
Pedro DaLua sustentou que a proposta é viável do ponto de vista financeiro. Segundo ele, a análise das contas públicas demonstra que o município tem condições de conceder o reajuste sem comprometer sua estabilidade.
Ao lembrar sua atuação como vereador, ressaltou que sempre tratou pautas de interesse dos servidores com agilidade, independentemente de alinhamentos políticos.
“Tratamos com seriedade e velocidade máxima, independentemente de base ou oposição. Peço a mesma cordialidade que sempre demos à categoria”, declarou.
O prefeito também reagiu a críticas nas redes sociais que questionam a sustentabilidade da medida. Em resposta, lançou um desafio aos parlamentares: aprovar o projeto e permitir que a gestão demonstre, na prática, sua capacidade de execução.

“Se acham que vou errar, votem a favor. Deem-me a chance de provar que pago e esperem dar errado antes de julgar”, disse.
Apelo por união e diálogo
Ao longo do pronunciamento, o prefeito adotou um discurso conciliador, reforçando a importância da harmonia entre os poderes. Citou nominalmente vereadores como Caetano Bentes e Alexandre Azevedo, destacando relações construídas ao longo dos anos, e pediu que divergências políticas não se sobreponham ao interesse coletivo.
“Vim à Câmara para sair com o projeto aprovado, sem que servidores precisem protestar na praça. Defendo o PCCR para os educadores e um aumento linear para todos. É mais do que justo para quem faz a prefeitura funcionar”, pontuou.
Diante de manifestações exaltadas no plenário, Pedro DaLua pediu respeito entre os parlamentares e defendeu um ambiente de debate mais equilibrado. “Nunca apoiei desrespeito ou ataques pessoais”, afirmou.
Uma decisão com impacto social
Com previsão de permanência no cargo até o início de maio, conforme decisão judicial, o prefeito sugeriu que o mês de abril seja um período de teste para a implementação do reajuste, caso aprovado.

A votação do projeto é vista como um momento decisivo para a capital amapaense. Mais do que uma pauta administrativa, a proposta carrega o peso de uma escolha política com efeitos diretos na qualidade de vida dos servidores e na prestação de serviços à população.
Se aprovado por unanimidade, o reajuste poderá simbolizar não apenas um avanço na valorização do funcionalismo, mas também um gesto de responsabilidade compartilhada entre Executivo e Legislativo em um momento em que o diálogo e a sensibilidade social se tornam indispensáveis.

